Plenária da Feebbase defende convocação de assembleias para debater estado de greve no dia 29, caso não haja avanços nas propostas
Nesta terça-feira (27/8), o Comando Nacional dos Bancários retoma as rodadas de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE), Adilson Azevedo está em São Paulo participando dos debates.
Na reta final, as negociações devem prosseguir até sexta-feira (30), para a renovação da Convenção Coletiva dos Bancários (CCT/Bancária). Em Sergipe, o Sindicato dos Bancários intensificou a mobilização com visitas nas agências bancárias.
Com a aproximação da data base da categoria, 1º de setembro, a orientação é que todos os bancários e bancárias utilizem também as redes digitais. Nas postagens, usar a hashtag #MerecemosRespeito, sempre marcando a Febraban (@febraban_oficial no Instagram e @Febraban para o X).
Proposta rebaixada e indecente
Após nove rodadas de negociação, a Fenaban apresentou, no último dia 21, uma proposta de reajuste abaixo da inflação, de 85% do INPC, o que resultaria em uma perda de 0,57% na remuneração dos bancários. Os bancos também tentaram atacar outros itens da CCT, como a participação nos lucros e resultados (PLR), direitos de trabalhadores afastados pelo INSS por motivo de doença e vales alimentação e refeição.
A proposta foi prontamente rejeitada pelo Comando Nacional dos Bancários, que reafirmou que os trabalhadores não aceitarão perda de salários ou de direitos.
Plenária Bahia e Sergipe
Para avaliar os impasses nas negociações, no último dia 22/8, bancários da Bahia e Sergipe se reuniram em uma grande plenária virtual. O evento contou com mais de 800 participantes simultâneos. A plenária aprovou, por ampla maioria, o envio de um documento da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe ao Comando Nacional dos Bancários. O documento solicita que o Comando oriente que os sindicatos de todo o país convoquem assembleias no início da semana para discutir o estado de greve e, na próxima quinta-feira (29), para decretar uma greve nacional da categoria, caso não haja avanços nas propostas. O processo respeitará as negociações em curso e todos os trâmites legais.
Dados do setor
- Em 2023, os bancos tiveram lucro de R$ 145 bilhões no país. Estamos falando de lucro, já descontados impostos, provisões, gastos com funcionários e equipamentos;
- No 1º semestre de 2024, o lucro dos cinco maiores bancos foi de R$ 60 bilhões, aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2023;
- No Brasil, os bancos têm rendimento médio de 15% ao ano acima da inflação. A título de comparação, os bancos dos Estados Unidos têm rentabilidade média de 6,5% acima da inflação, na Espanha 10% e na Inglaterra 9%;
- Ainda que representem 10% das instituições financeiras do Brasil, os bancos têm resultado nove vezes maior que as instituições de pagamento, respondendo por 71% do lucro produzido no setor financeiro, sem contar que muitos bancos são detentores de instituições de pagamento;
- Além disso, os bancos detêm 82% do mercado de crédito do país e 81% dos ativos do mercado financeiro brasileiro;
- Por outro lado, no último ano, 2023, os bancos tradicionais encerraram mais de 2 mil postos de trabalho, enquanto em todo o sistema financeiro, do qual os bancos fazem parte, está havendo o aumento de empregos.
Reivindicações da categoria
- Reajuste salarial que corresponda à reposição pelo INPC acumulado entre setembro de 2023 e agosto de 2024, acrescido do aumento real de 5%;
- Melhoria nos percentuais da Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
- E melhorias nas demais verbas, incluindo tickets alimentação e refeição, auxílio creche e auxílio babá.
Os trabalhadores reivindicam ainda:
- Fim da gestão por metas abusivas, que tem gerado adoecimento na categoria;
- Reforço aos mecanismos de combate ao assédio moral e sexual;
- Direito à desconexão fora do horário de trabalho;
- Direitos para pessoas com deficiência (PCDs) e neurodivergentes;
- Suporte aos pais e mães de filhos com deficiência;
- Mais mulheres na TI;
- Combate à terceirização e garantia de empregos;
- Jornada de trabalho de quatro dias;
- Ampliação do teletrabalho.
Por Déa Jacobina da Ascom do SEEB/SE, com Fonte dos portais da FEEEBASE e Contraf
